no caminho certo

Enquanto discutiam o homem começou a arrumar suas coisas e a apagar o fogo.Parecia que ia partir. Em desespero, e não sei como,por milagre Suplicio meio que em desespero e afobado foi falar com o tal homem. Quando chegou frente a frente com o tal homem notou que ele apenas estava cansado, e que tinha olhos simpáticos. Ficou estático olhando pro homem sem saber o que falar.
O homem sorriu e disse para ele trazer os outros dois amigos, e que eles tinham sorte que ele não tinha apagado o fogo.

1 – “A Viagem de Chihiro”, de Hayao Miyazaki –imagem


Passaram a noite juntos, o homem era muito enigmático dizia que não morava em lugar nenhum e ao mesmo tempo morava em todo lugar.Seu nome era Giganás, e disse-lhes que achava estranho que nunca tinham ouvido falar dele.;
– Vocês andaram hibernando, não conhecem as coisas do mundo? ¿ perguntava Giganás aos abobalhados três amigos.- Vejo que trazem umas de minhas pequenas Alfaces Especias…..
– Você … sabe como faze-la voltar ao normal?perguntou Idelcio
Giganás presenteou-lhes com um enigmático sorriso e disse que eles já tinham a resposta para essa pergunta.Mas que estavam no caminho certo…

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querer além



Você já sentiu vontade de gritar mais alto do que sua voz seria capaz? Já sentiu a ansia de correr além do que suas pernas permitiriam? Já desejou ser muito mais além de si e ter em si toda essa amplitude? Você já tentou entender o que se explica em tantas palavras de tantas culturas? Já tentou enfrentar o limite de sua liberdade?

posted by Fernanda Kan

um homem

Egvaldo, Suplicio e Idelcio ficaram estáticos assistindo a transformação da menina em Alface, caiu sobre eles um silêncio onde só se ouvia a respiração assustada dos três.De repente os três começaram a falar juntos:
-E agora, o que aconteceu? ¿gritava Suplicio-O que vamos fazer??
-A culpa é sua Egvaldo- acusava Idelcio
-Como ela fez isso?- murmurava para si mesmo Egvaldo.
Ficaram umas duas horas discutindo quando de repente ouviram o uivo de um lobo, e os barulhos estranhos de uma floresta.Só então caíram em si que estavam longe de sua casinha,de sua fogueira e haviam esquecido de trazer consigo alguns mantimentos.

Estavam sozinhos e sem nada!
Egvaldo, sério falou que precisavam caminhar e achar alguém para ajudar a menina alface.
Suplicio e Idelcio entraram em pânico , dizendo que era melhor deixar a alface pra lá,e que estavam bem ali mesmo e que estava muito escuro para andar naquela hora.
Sem dizer mais nada Egvaldo pegou a Alface calmamente e começou a caminhar.
Apavorados os outros dois começaram a segui-lo. Caminharam e caminharam muito quando de repente Suplicio avistou uma fumaça no céu e foram naquela direção. Encontraram um homem sentado perto da fogueira com cara de poucos amigos.
– Não podemos pedir ajuda a esse homem!disse Suplicio.-Ele vai nos machucar!
– Deve haver outro jeito – murmurou o muito assustado Idelcio
– Sim,deve haver sim-respondeu Egvaldo.
[continua…]

alface,não mais menina?

Imagem: Jornalista no Futuro

Esse tal palácio parecia não chegar nunca, já estavam caminhando a horas e começava a esfriar. Os três começaram a discutir sem chegar a nenhuma conclusão.A Menina Alface cansou de prestar atenção a discussão dos três, então começou a mergulhar em seus pensamentos, pensava em sua vida de alface e tudo o que tinha acontecido até agora. Anoiteceu, e os três começaram a ficar assustados e agitados,começaram a falar que a noite é perigosa e tal,e que não tinham como se defender. 
A Menina Alface já estava no limite de sua paciência e perguntou a eles: 
– Do que vocês tem medo afinal de contas?Já enfrentaram algum perigo na vida? 
Os três se assustaram com a explosão da menina e se amontoaram juntos num canto parecendo crianças assustadas.Nisso, uma coisa muito estranha começou a acontecer, a Menina Alface começou a se sentir sem ar,como se estivesse passando mal e percebeu que estava diminuindo de tamanho,foi aí que aconteceu: 

A Menina Alface voltou a se transformar em uma alface. 


deixa fluir

A menina alface se aproximava do palácio. Os três pequenos seguiam com ela… nenhuma palavra era trocada entre eles.

Imagem: Sal da Terra

Ela estava perdida em seus pensamentos. Tinha mais lembranças do que esperanças. “A vida é água que flui. Não tente segurá-la ou terá que lamentar ver que sempre te escorre entre os dedos. Deixa a vida fluir”. Se não menina levaria estas palavras ao pé da letra. Mas era menina, e não apenas alface. Ela sabia o real significado dessas palavras.
Não tinha esse conhecimento somente por ser menina, quantas meninas existiriam no mundo que nem ao menos se permitiram pensar a respeito…
Ela era menina alface. Transformada, por coragem e medo. Lembram de seu primeiro medo? Ser cortada, ser vendida, ser comida.
Ela quase explodiu na vontade de responder àquela voz tão doce que cantarolava, que cuidava de suas folhas e lhe fazia companhia. Mas nada aconteceu de fato.
Foi o medo que lhe deu as forças necessárias. Ela se tornou menina alface. Não havia, porém, lutado contra seu destino, contra o curso de sua vida. Se assim fosse não estaria, neste momento, a caminho do palácio. Ela havia lutado contra as represas que lhe haviam imposto. No momento que o medo fez soltar toda sua voz, a menina acordou ao som de seus próprios pensamentos.
Como menina alface, transformada, ela sabia que até o mais belo dos dizeres poderiam, aos ignorantes, soar como praga.
Ela continuaria: “Deixa a vida fluir. Quebra as barreiras.. e deixa a vida fluir.

[escrito por Alface-Mor Fernanda]

voz

Percebi que comecei a sentir essa coisa estranha,essa ânsia,quando alguém parecia conversar comigo.Era uma voz que cantarolava uma musica dia após dia e falava enquanto regava as minhas folhas;como tinha sido seu dia, e as vezes parecia até querer nossa opinião.Eu comecei a ficar com vontade de responder aquela voz.Talvez a partir daí que as coisas começaram a acontecer…
ALFACE MENINA

cheshire

– Que caminho devo seguir? – perguntou Alice 

– Depende de onde queres chegar. – respondeu o gato 

– Não importa aonde eu chegue… 

– Ah, então não importa para onde vá. 

– …contanto que chegue em algum lugar. – continuou Alice 

– Em algum lugar sempre chegará.

Lewis Carrol – Alice no País das Maravilhas



                                                                                                     [escrito por Alface-Mor Fernanda]

Site da Imagem


Que criaturas estranhas são esses três. Parecem,estar mais perdidos do que eu ! Mas por mais estranhos que eles sejam,prefiro caminhar com eles do que sozinha.Não sei por que sinto que posso confiar neles.Esse nó que sinto,e o palpitar do meu coração se abrandaram um pouco ao estar na presença deles. 

 
Egvaldo,Suplicio e Idelcio parecem nunca se decidir por nada,sabem que podem fazer tudo,mas com suas eternas discussões não vão a lugar algum. Que estranho!As atitudes deles me são muito familiares.Olhei para os olhos de Egvaldo e vi uma imensa vontade de viver, toldada por uma angústia terrivel e encoberta por uma camada de falsa comodidade.Parecia estar me vendo ali.Lembro-me da minha vida na Terra, minha vida de Alface,como era tranquilo estar lá, recebendo água todos os dias,respirando o ar puro ,me alimentando da Terra,lembro que td aquilo me parecia muito normal ,mas no fundo me sentia PRESA,SEM LIBERDADE.Quando foi que comecei a sentir isso na minha vida alface? 

ALFACE MENINA 

somos pequenos…

A noite caiu. O frio aconchegante fez com que a menina adormecesse. E logo nasceu um novo dia. 
Ao acordar, a menina alface viu os pequenos ainda discutindo e resolveu caminhar sozinha. 
– Não posso mais ficar aqui, preciso chegar a algum lugar. 
– Não quer esperar para ir conosco? Só precisamos decidir o que faremos hoje. – disse Egvaldo 
– Mas você disse o mesmo ontem e eu passei o dia inteiro esperando. Vocês não fizeram nada! 
– Não nos decidimos. 
– Não podemos nos separar, precisamos nos defender. – disse Suplinio 
– Defender do que? – perguntou a menina alface 
– De qualquer coisa, oras. Somos muito pequenos, não vê? 
– Venham comigo, então. Eu escolho desta vez. Assim, seremos quatro. E eu sou bem grande… 
Os três se olharam em duvida. 
– Para onde vamos? – perguntou Suplinio 
– Não sei. Não conheço este lugar. 
– Ela não sabe… – disse Suplinio olhando para Egvaldo – Não vamos a lugar algum! 
– Vamos atrás da menina! Não… melhor! Vamos em sua frente! Vamos correr da menina, vamos chegar primeiro! – gritou Idelcio inquieto 
– Não, calma! Não comecem a discutir. O que vocês conhecem deste lugar? 
– Sabemos que existe um palácio com um enorme jardim. – disse Egvaldo – Mas nunca fomos lá. 
– É muito longe. – completou Suplinio 

– Então sabem onde fica este palácio… 
– Fica depois daquela montanha. – disse Suplinio sendo interrompido pelos outros dois 
A menina viu um pequeno monte de terra que em nada parecia com uma montanha. Mas não quis dizer nada. Segui na direção que eles haviam indicado. Todos os três vieram atrás. Também não disseram uma palavra. Só seguiram a menina, sem ao menos olharem uns pros outros. 
[escrito por Alface-Mor Fernanda]