Caminho

A Menina Alface queria respostas. Depois de muito andar, ela parou e pensou em tudo que tinha percorrido, em todos e tudo que haviam cruzado sua vida. Esta vida parecia tão recente e ao mesmo tempo, olhando pra trás, o caminho se estendia a cada pensamento, muitos passos, muitas ruas, muitas encruzilhadas, muitas escolhas. Muitas dúvidas gritavam a cada piscar de olhos. Ela pensou em perguntar ao vento, que tanta força possuía, mas tudo que ele fazia era empurrar ela cada vez mais longe, até que sua voz se tornasse um sussurro medroso e oscilante. Ela pensou em perguntar às árvores, que a fundo fixavam suas raízes e moviam com graça todo ciclo da vida, mas elas permaneceram imoveis ignorando a existência da menina alface, que gritava cada vez mais alto até que sua voz não saía mais que um ruído rouco. Ela pensou em perguntar aos animais, que guardavam o segredo da inocência de viver o todo, mas de nenhum conseguia se aproximar sem que fugissem assustados. A menina alface então, perdendo suas esperanças, sentou-se na beirada de um rio e chorou em silêncio. Suas lágrimas encontraram a agua cristalina, e nesta surgiu seu rosto. A menina alface se viu refletida na agua daquele rio e resolveu entrar ali de todo corpo – tão novo que era, esta experiência seria a primeira. E se deixou fluir sem medo de onde pudesse chegar. Abriu os olhos por alguns instantes, mesmo sabendo que o sol estava tocando seu rosto com toda intensidade. E, ao fazer isto, a menina alface pode perceber que era o vento que ajudava o rio a seguir seu rumo, levando-a ao seu futuro destino. A menina alface virou seu rosto e viu uma enorme arvore que estendia seus galhos até a proximidade do rio e, sem imediatamente, segurou-se em um que passava próximo de seu percurso e com pouco esforço subiu em terra. Um bando de pássaros voavam sobre sua cabeça, entre os galhos da velha arvore eles subiam e desciam como em uma dança. Então, todos os pássaros reunidos partiram com seu canto. E atrás foi a menina alface. Ela ainda não tinha nenhuma resposta, mas ela já conseguia entender que estava, agora, fazendo as perguntas certas. E, em seu silêncio, continuou a velha caminhada.


[Escrito por Alface-Mor Fernada]

Anúncios

2 comentários sobre “Caminho

Faça a Annie feliz! Comente ;)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s