Três homens vazios e cheios – Parte 3

[Do Not Feed] "Não Alimente" Ilustração de Jon Lezinsky

[Do Not Feed]
“Não Alimente”
Ilustração de Jon Lezinsky

A menina tremia.
Foi então que outro homem se aproximou dela.
O segundo homem vazio e cheio

Alice tremia, tremia por que estava com muito calor
Seu corpo era o inferno encarnado em uma pessoa
Pensava ela, em pensamentos desconexos

Foi então que sentiu um ar frio lhe envolver, que causou alivio por breves segundos.

Aquele homem também tinha uma pele transparente.Ele emanava algo azul, um azul feio.
Alice se surpreendeu como aquele azul podia ser tao feio.Teve vontade de vomitar
Logo ela que gostava tanto do azul, que lhe lembrava o céu, a imensidão, o reflexo na água….

Aquele azul era falso. Concluiu ela. Surpresa como ela conseguia ainda ter consciencia de qualquer coisa q fosse.

Foi engolfada para um buraco fundo, vazio, e frio.

Palavras bonitas a envolveram.

Alice estava confusa ….
Aquele homem era tão cheio de palavras bonitas, mas por que ela sentia tanto frio, tão sozinha?
E aquele azul feio. Por que era tão feio se era preenchido por palavras bonitas.?

Foi então que percebeu aquelas palavras não eram bonitas. Eram vazias.Eram falsas.
Palavras que foram ditas apenas pra enganar, magoar, machucar, para satisfacão do ego.

As palavras eram iguais ao falso azul.
E então Alice já contaminada pelo ódio e pela violência se lembrou de todos aqueles que lhe falaram palavras vazias.
E com a mente já pertubada pela mais perversa energia pensou que todos já tinham dito palavras de odio e falsas a ela.
Sem exceção.Estava cercada pelo mal.

Vingança.

Era o que ela tinha que fazer.

Espalhar a dor que causaram a ela.

E ela olhou para os olhos do homem que era preenchido pelo azul feio e falso das palavras vazias e cinicamente bonitas.
A frieza daquele olhar a preencheu.
E o homem vazio e cheio ficou apenas vazio.

O teu coração agora era gélido.E o teu corpo era fogo. Calor que não aquecia .Só queimava.

Passos tímidos e leves chegaram aos ouvidos de Alice.
A sua alma que observava tudo com olhos assustados e inchados pela lágrimas. Parou de chorar.

O terceiro homem se aproximava.Lenta e Suavemente. Ele parecia um sopro de vento.
Alice quase esboçou um sorriso mas não conseguiu.
Ficou com medo de novo.Que coisa horrível ela iria sentir?

Três Homens Vazios e Cheios – Segunda Parte

Imagem: Light Dancer pintura de Dorian Vallejo

Imagem: Light Dancer
pintura de Dorian Vallejo

A menina era Alice, ela sentia demais.
Se uma pessoa estava triste, ela sentia a tristeza como se fosse dela.
Por isso Alice evitava o contato com outras pessoas.

Mas naquele dia, algo a impulsionou para sair de casa.
E ela se deparou com aquele homem.
O homem vazio e cheio ao mesmo tempo.

Ele estava a um quarteirão de distância mas ela já podia sentir a sinistra energia que emanava dele.
Alice sentiu sua pele se arrepiar. E com grande terror o ódio preencher sua mente, sua alma, seu coração.
Ela arfou, quase desmaiou.
O mundo ficou vermelho.
Mas não sabia dizer por que seus pés não lhe obedeciam que a arrastavam para perto daquele homem.
Um pânico enorme tomava conta do pouco da consciência que ainda lhe restava.
Uma voz gritava com urgência em sua cabeça:
-Fuja, fuja enquanto ainda pode!!

Mas seus pés não lhe obedeciam
E o ódio e todas as cenas de violência do mais podre e fétido teor lhe invadiram sua mente.
Ela sentiu vontade de matar alguém, torturar, se matar.
Sentiu coisas que nunca sentiu antes.
Sentiu o ódio do mundo.

Era como se sua cabeça fosse partir ao meio. Sentia como se estivesse num sonho.
Sua alma parecia não mais habitar aquele corpo que se corrompeu num monte de emoções e sensações impuras.
Era como se sua alma a estivesse observando. Esperando ela se livrar daquele monte de lixo.
Alice sentia que sua pele , suas entranhas, seus pensamentos
Tudo em seu ser queimava.Numa queimadura que doía mais do que colocar sua mão em óleo fervente e não ter como tira-la de lá.

Ela olhou nos olhos daquele homem cheio e vazio ao mesmo tempo.
Sem ter noção de como tinha conseguido chegar perto dele.
ela gritou .Era horrível aquilo que viu.

Perto dali uma garota de longas tranças douradas observava a tudo.
Perguntou ao ser que se escondia nas sombras:
-Tem certeza que tudo isso é necessário?
Os dois eram invisíveis a olhos humanos.E a seres mais densos também.
– Se não fosse possível a eles suportar o peso, não estaria acontecendo.E foram eles que escolheram.
A garota olhou para aquele rapaz que se misturava com as sombras. E sorriu.
Ele também tinha passado pelos mesmos questionamentos.

O homem vazio e cheio.Agora era apenas um homem vazio.
A menina tinha sugado todo o seu conteúdo.
O homem vazio e cheio estava prestes a explodir, sua pele já estava rasgando.
O mundo não sabia do perigo que correu segundos antes.

A casca do homem flutuou pra cima, pro cosmos.

[Continua…]

Três homens vazios e cheios

Imagem: Angel ilustração de Sho Murase

Imagem: Angel
ilustração de Sho Murase

 

Era uma vez

Três homens cheios.
Cheios e vazios ao mesmo tempo.E uma menina.

Um homem era repleto de palavras de baixo calão,
xingamentos, discursos de ódio,raiva,vingança.
Palavras que emitiam a mais densa escuridão.
Escuridão que lembra piche,lodo, daquelas grudentas
que empesteia ,denigre, definha.
Por que existe aquela escuridão que contém luz.
Essa escuridão quase ninguém ouviu falar.
Quem a descobre, se encanta.
Mas existe essa escuridão, que todos escondem.
Eu admito.
Possuo tal escuridão. E você?
Mas o que faz diferença é a escolha.
Que escuridão você escolhe?
Sim, não estou falando em escolher entre luz e escuridão.
Mas estou falando de escolher a escuridão negativa
E a escuridão positiva. A escuridão que contém luz.
Olhando mais perto para o homem,ele lembrava meio
que um balão.Uma bexiga. Causa estranheza e um grande desconforto pra quem observa.
Pior ainda pra quem está perto. A pele do homem era meio translúcida.Você já pegou uma lanterna e mirou a luz na palma da sua mão?
Dá um efeito bem legal né?
Então a pele do homem era parecido com aquilo, mas bem mais transparente.
e emitia uma espécie de luz, uma luz vermelha .
Não, não se pode chamar aquilo de luz. Esse homem cheio, era composto apenas dessas palavras.

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Essas palavras o pregavam no chão.
A luz depois de observar melhor parecia sangue
O homem parecia sangrar e destilar palavras de ódio.
E quanto mais pessoas no mundo
usavam tais palavras, mais o homem se enchia,
era assustador observar a pele que parecia que ia explodir a qualquer momento
O sangue se espalhava pela terra e agia como se fossem sementes do mal.
Espalhando e incitando cada vez mais energia negativa e destruidora.
As palavras de ódio agem assim como se fosse uma epidemia.

[continua…]

Os anjos do meio da Praça

os anjos do meio da praça

os anjos do meio da praça

O que você faria se deparasse com anjos
Anjos lindos, no meio da rua
No seu quintal
No meio da praça

Adoro curtas de animação
Me encanta
E esses anjos que encontrei
Eles caíram, decaíram, sonhavam tristemente
Em voltar para os céus

É de uma arte linda, impressionante,
profunda, reflexiva.
Fiquei admirada com a figura dos anjos, a luz, os símbolos em sua pele
Encontre-se com eles
Os anjos do meio da praça ;

Sinopse: Uma fábula sobre anjos caídos, sonhos esquecidos, e um menino.



Prêmios:

• Prêmio especial do júri oficial -XXXVIII Festival de cinema de Gramado — RS
• Melhor Direção e Melhor Curta-Metragem — IV Brazilian Film Festival of Toronto — Canadá.
• Melhor Video de Animação – XIV FAM – Florianópolis Audiovisual Mercosul
• Melhor Curta – II Festival de Itapetinga
• Melhor Filme de Animação – Festival Locomotiva 2010
• Melhor curta-metragem nacional de animação — VI Fantaspoa – RS
• Melhor filme mostra teen –VIII FICI
• Melhor Música – Festival Locomotiva 2010
• Melhor Curta Metragem de Animação – Festival de Cinema de Maringá
• Melhor Direção (Animação) – Festival de Cinema de Maringá
• Melhor Roteiro (Animação) – Festival de Cinema de Maringá
• Melhor Música (Animação) – Festival de Cinema de Maringá
• Melhor Cenário (Animação) – Festival de Cinema de Maringá
• Melhor Personagem (Animação) – Festival de Cinema de Maringá
• Menção Honrosa – I Curta Amazônia 2010

Seleção Oficial:

• Anima Mundi 2010
• Festival Guarnicê de cinema — MA
• V mostra de cinema de Ouro Preto — MG
• V Cine Fantasy — Festival curta fantástico
• VI Mostra Mosca — Cambuquira — MG
• XIII Fenart — PA
• X Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe

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Girassol

girassol

 

Na mitologia é contada a história de uma ninfa que se apaixonou por Apolo, o deus Sol.
Encantada com seus raios dourados e a intensidade de seu calor. Admirava-se com sua luminosidade
que dava vida e alegria a tudo e a todos.
Mas Apolo, a ignorava completamente. A Ninfa dia após dia não cansava de contemplar aquele que
não lhe dava um mínimo de atenção.
O peso da rejeição e a grande tristeza a consumiam visivelmente, sua única alegria era poder sentir os
raios dourados em seu rosto, sentir a luz que se expandia em um todo a sua volta. A ninfa já não se
alimentava, e ela foi definhando.
Numa fria manhã, a Ninfa já não se encontrava onde costumava estar.
Naquele lugar, estava uma linda flor, que se movimentava como se o seu guia fosse o Sol.