Dia Cinzento

Sun_and_rain_by_emolawn

Tá , eu escrevi,escrevi e escrevi
e simplesmente as palavras desapareceram
e a melancolia aumentou
Escrevia aqui sobre dias e nuvens cinzentas
Mãos,pés e nariz gelado
alma vazia , solidão e chocolate quente
Mas as palavras sumiram.
Talvez essas sumam também
E fique só essa imagem
Que não é minha
Peguei no google
Mas a última frase era:

Das minhas palavras que sumiram

Na esperança, temperança
De que eu enxergue
O Sol por detrás das nuvens.

Sábado a Noite

Agora faz um frio danado . É noite. 

No bar lá fora, tocando música alta. Eduardo e Mônica . Legião Urbana

Aqui dentro de mim, o vazio costumeiro, 

A música mudou. Raul Seixas. Gitá.

E assim é a vida. Vamos caminhando. Vamos mudando.

Vamos aprendendo.

O que sempre soubemos.

E fingimos não saber.

E acreditamos.

A Garota Ideal

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Logo que vi esse a capa desse filme eu fiquei com vontade de assistir, mas confesso que demorei um pouco pra clicar no play.
Sinceramente não deveria ter demorado tanto.

Lars and the real girl. Illustration by Abigail Halpin

Lars and the real girl. Illustration by Abigail Halpin

A Garota Ideal é um daqueles filmes que te deixam com alma mais leve depois de assisti-lo.
A atuação de Ryan Gosling é cativante.

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Aliás o filme inteiro te surpreende.
Lars é um cara simpático, educado, mas super introvertido. Ele mora na garagem de seu irmão.
Já nos primeiros momentos do filme dá pra perceber como ele tem dificuldade em se relacionar. A cunhada o convida para jantar e ele tenta ao máximo fugir da situação.E também já dá pra perceber como é a personalidade de Lars. É quase como uma criança.
Então tudo muda quando ele conhece uma garota pela internet.
Bianca é cadeirante, não fala muito bem o inglês, é de descendencia brasileira e dinarmaquesa. O único que a entende é o Lars.
Ela é uma missionária religiosa, gosta de ajudar as pessoas.
O único problema é que Bianca é uma boneca.

'Sim, Bianca veio pra ajudar Lars. '

‘Sim, Bianca veio pra ajudar Lars. ‘

O filme é quase um conto de fadas de tão surreal e ao mesmo tempo que tenta trazer uma mensagem profunda ao mundo real ; A aceitação e acolhimento do diferente.lars-and-the-real-girl-271242l-imagine

Ao longo do filme você se encanta com Ryan , com a cidade inteira e até com Bianca.
O modo como lidam com o transtorno delirante de Ryan é magico, e sensível.
A partir do momento que Lars apresenta Bianca para o irmão e a cunhada, ele vai se expondo cada vez mais, e surgem pessoas e situações que o ajudam a se conhecer melhor, a vencer suas barreiras emocionais.


Gostei bastante também das fases de transformação da Bianca. Ela aposenta as vestimentas de mulher fatal em que veio, e dá lugar as roupas confortaveis do dia a dia.Ela ganha um corte de cabelo, uma simpática franjinha e se envolve em várias atividades na cidade!Ela tem uma agenda cheia! E por causa disso o casal Bianca e Lars tem sua primeira briga.0286112_25426_MC_Tx360

Lars começa a compreender que se relacionar com uma garota não significa que ela estará sempre ao seu dispor. ( o motivo da briga) e a briga também tem a ver com o despertar do anseio dele de querer uma vida, as emoções de uma vida. Nem consigo explicar direito. É simplesmente lindo,envolvente e faz bem pra alma. Assista!

Trailer:

Obs. Assisti esse filme na Netflix, estou gostando. Não tem propagandas chatas e carrega rapidinho.O primeiro mês é grátis :)

Ter de Acreditar

TER DE ACREDITAR

“… Uma amiga minha encontrou dois gatinhos quase mortos dentro de uma secadora, numa lavanderia automática.
Ela os reanimou e, com muitos cuidados e ótima alimentação, criou-os até eles virarem dois gatos gigantescos, em preto e um avermelhado.
Dois anos depois ela vendeu a casa .Como não podia levar os gatos e não conseguisse encontrar outro lar para eles, nas circunstâncias só o que podia fazer era levá-los para uma clínica veterinária e sacrifica-los.
Ajudei a levá-los.Os gatos nunca tinham entrado num carro;ela procurou acalmá-los,mas eles a arranharam e a morderam especialmente o avermelhado,que ela chamava de Max.Quando afinal chegamos à clínica,ela levou primeiro o gato preto;pegando-o no colo e sem dizer uma palavra ela saltou do carro.O gato brincou com ela, dando-lhe patadas delicadas enquanto ela abria a porta de vidro para entrar na clínica .


Olhei para Max; ele estava sentado no banco de trás. O movimento de minha cabeça deve tê-lo assustado, pois ele pulou para baixo do assento de motorista. Fiz o assento deslizar para trás .Não queria pôr a mão embaixo, de medo que o gato me mordesse ou arranhasse minha mão.O gato estava deitado dentro de uma depressão no fundo do carro.Parecia muito agitado,sua respiração estava ofegante. Ele olhou para mim; nossos olhares se encontraram,e fui dominado por uma sensação de opressão, desespero ou talvez constrangimento por tomar parte no que estava ocorrendo.
Senti uma necessidade de explicar a Max que a decisão fora de minha amiga ,e que eu só a estava ajudando .O gato ficou me olhando como se entendesse minhas palavras.
Olhei para ver se ela já vinha de volta.Eu a via através da porta de vidro.Ela estava falando com a recepcionista. Meu corpo  teve um choque estranho e automaticamente abri a porta do carro.
“Corra Max, corra!”, disse eu ao gato.
Ele saltou para fora do carro e deu uma corrida para o outro lado da rua,o corpo rente ao chão,como uma autêntico felino. Aquele lado da rua estava vazio;não havia carros parados e eu via Max correndo,junto à sarjeta.Ele chegou à esquina de uma grande  avenida e depois se meteu por um cano de esgoto.
Minha amiga voltou,contei-lhe que Max havia fugido. Ela entrou no carro e nós fomos embora sem dizer uma palavra.
Nos meses que se seguiram o incidente passou a ser um símbolo para mim.Imaginei,ou talvez tivesse visto,um brilho
estranho nos olhos de Max quando ele olhou para mim antes de saltar do carro.E acreditei por um momento que aquele bichinho de estimação,castrado,obeso e inútil ,tornou se um gato.
Eu disse a Dom Juan que estava convencido de que,quando Max correu para o outro lado da rua e mergulhou no esgoto,o seu “espírito de gato” estava impecável,e que talvez em nenhum momento de sua vida o seu “gatismo” fora tão evidente A impressão que o incidente deixou em mim foi inesquecível.
Achei que eu era como Max,mimado demais,domesticado em muitos sentidos,e no entanto não podia deixar de pensar que havia sempre a possibilidade de um momento que o espírito do homem poderia apossar-se de todo o meu ser ,assim como o espírito de “gatismo” se apossou do corpo flácido e inútil de Max.
Dom Juan tinha gostado da história e tecera alguns comentários sobre ela.Disse que não era assim tão difícil deixar que o espírito do homem fluísse e se apossase;mas que mantê-lo era coisa que somente um guerreiro poderia fazer.

– O que é que tem a história dos gatos? – perguntei.
– Você me disse que acreditava que se está arriscando, como Max – disse ele.
– Acredito nisso, sim.


– O que estive tentando dizer-lhe é que, como guerreiro, você não pode simplesmente acreditar nisso e deixar a coisa correr. Com Max, ter de acreditar significa que você aceita o fato de que a fuga dele pode ter sido uma explosão inútil. Ele pode ter saltado para o esgoto e morrido instantaneamente. Pode ter-se afogado ou morrido de fome, ou pode ter sido devorado pelos ratos. Um guerreiro considera todas essas possibilidades e depois resolve acreditar de acordo com suas predileções íntimas. Como guerreiro, você tem de acreditar que Max conseguiu salvar-se, que ele não apenas fugiu, mas que manteve seu poder. Você tem de acreditar nisso.
Digamos que sem essa crença você nada tem. A distinção tornou-se muito clara. Achei que eu realmente tinha preferido acreditar que Max sobrevivera, sabendo que ele estava levando a desvantagem de uma vida inteira de mimos e bons tratos.
– Acreditar é fácil – continuou Dom Juan. – Ter de acreditar é outra coisa. Neste caso, por exemplo, o poder lhe deu uma lição esplêndida, mas você preferiu só usar a metade dela. Se você tem de acreditar, porém, tem de utilizar o fato todo.
– Entendo o que quer dizer – disse eu.
Meu espírito estava num estado de lucidez e achei que estava entendendo os conceitos dele sem esforço algum.
– Acho que você ainda não entendeu – disse, quase cochichando.
Ele me ficou fitando. Sustentei seu olhar por um momento.
– E o outro gato? – perguntou ele.
– Hem? O outro gato? – repeti, involuntariamente.
Eu esquecera a respeito. O meu símbolo girava em tomo de Max. O outro gato não me interessava.
– Mas interessa, sim! – exclamou Dom Juan, quando exprimi meus pensamentos. – Tem de acreditar significa que você também
tem de explicar o outro gato. O que saiu lambendo as mãos que o levavam a sua execução. Aquele foi o gato que se dirigiu para a morte, confiante, cheio de seus conceitos de gato. Você acha que se parece com Max, de modo que já se esqueceu do outro gato.
Nem sabe o nome dele. Ter de acreditar significa que você tem de considerar tudo, e antes de resolver que você se parece com Max,você deve considerar que pode parecer com o outro gato; em vez de fugir para salvar a vida e se arriscar, pode estar caminhando feliz para seu destino, cheio de seus conceitos.
Havia em suas palavras uma tristeza curiosa,ou talvez a tristeza fosse minha.Ficamos calados muito tempo.Nunca me passara pela cabeça que eu pudesse ser como o outro gato.A ideia me era muito angustiante.”
…”Temos de acreditar que Max teve noção do que o estava perseguindo e teve poder suficiente para pelo menos escolher o lugar do seu fim.
Mas aí temos o outro gato,assim como há outros homens cuja morte os cercará quando estiverem sós,sem consciência,olhando para as paredes de um quarto feio e despido.
…mas há o outro lado, aquele homem por exemplo está morrendo onde sempre viveu,nas ruas. Tres policiais são a sua guarda de honra.E quando ele for se apagando,seus olhos terão um último vislumbre das luzes nas lojas do outro lado,os carros,as árvores,as multidões de pessoas a sua volta,e seus ouvidos se encherão pela última vez com os ruídos do trafego e as vozes dos homens e mulheres que passam
Assim,você vê,sem uma consciência da presença de nossa morte não há poder,nem mistério.
Fiquei olhando para o homem muito tempo.Ele estava imóvel .Talvez estivesse morto.Mas minha descrença não importava mais.
Dom Juan tinha razão. Ter de acreditar que o mundo é misterioso e insondável era a expressão de preferência mais íntima do guerreiro.Sem isso ele nada tinha “

De Carlos Castañeda. Trecho retirado do livro: Porta para o Infinito.