numa fria manhã de inverno

conto de ventanias passadas.
originalmente publicado no meu blog antigo vivendo com o vento.

Era uma daquelas manhãs frias, cinzentas e nebulosas de inverno, onde só o fato de ter que abrir os olhos já é uma tortura,e se colocar o nariz para fora te faz desejar voltar ao mundo “seguro” dos sonhos, imagine ousar por os pés descalços no gélido do chão! Leva-se umas tantas horas…
E o que dizer então de um alguém com o fardo da fobia social?Onde o termômetro poderia estar nos 30° ou em amenos 23° , qualquer que fosse a temperatura,se passava mais tempo embaixo das cobertas do que qualquer canto cinza ou verde do mundo afora.
Mas… não sei o que me deu.Enfrentei o frio da manhã e o vento finalmente sorriu!
Estou lá, me sentindo com 80 quilos toda entulhada de roupas no frio assustador de uma manhã de inverno.
Alguns passos depois, e a vontade, a ânsia de retroceder é intensa, desesperadora.
Melhor é não pensar em nada e seguir adiante.

De repente…
…Tão repentinamente que nem sei como, fui parar naquela sala e minha anfitriã (que surgiu de não sei da onde)me empurrou para sua cozinha.Fiquei embasbacada!A mulher tinha um fogão a lenha.
Ela pegou um bule de vidro tão fininho que pensei que fosse trincar ao vê-la colocando no fogo,o líquido vermelho me fascinou,as borbulhas pareciam me hipnotizar,nesse instante, a minha misteriosa anfitriã me fitou.
Tremi de medo.

Ela tinha olhos estranhos olhos azuis. Pareciam de vidro.
Desviei o olhar.
O aroma que se espalhava pela cozinha me fez perceber que era vinho tinto o tal líquido vermelho.
A mulher com seus olhos de vidro pegou um pote onde se lia mel o dourado me fez pensar em ouro líquido…
A alquimia a qual presenciava me deixava cada vez mais fascinada e ela ia adicionando ingredientes de que eu não tinha a mínima idéia do que seriam, pozinhos,sementes,folhas,tudo se misturava numa combinação que parecia perfeita!
Finalmente ela despejou a tal bebida numa delicada xícara de vidro,tão fininha que temi segurar
O aroma que senti era indescritivel,inebriante.Engraçado como me fez sentir triste.
Meus olhos se encheram de lágrimas
Nesse momento minha anfitriã me fitou com seu olhar de vidro.
Estremeci.
Levei a tal bebida aos lábios.O líquido pareceu queimar minha garganta, mas deixou um sabor doce e leve em minha boca.
A tristeza aumentou e não mais consegui segurar as lágrimas.
– Normalmente quem me visita,fica alegre e seu ser é preenchido com a chama da felicidade ao tomar do meu LLilyictrium (acho que era isso,não consegui entender)
Percebi que a xícara na qual ela segurava, tremia.Suas mãos estavam tremendo.
Ela continuava a me fitar intensamente, de um modo estranho.
Minha tristeza aumentou ainda mais.
-Por que tamanha tristeza,criança?
Os olhos dela começaram a brilhar, a vida começava a bailar em teus olhos de vidro.
– Poderia me responder?Consegue responder a si mesma?
A mulher se transformou totalmente ao me fazer a última pergunta:
– Por que a escolha da tristeza, quando o efeito da bebida é justamente a alegria e felicidade?
E de repente.
Tão de repentinamente que nem sei como,
Retornei.
Para uma daquelas frias manhãs de inverno,e eu estava lá novamente, embaixo das cobertas…

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