Imagem

Dona Morte encontra a paz <3

clique em cima da imagem p visualizar em tela inteira :)

SOBRE LUTO E REVERÊNCIA, parte 3 – Charles Einsenstein e Francis Weller

Esse texto é sensacional!!!! Lindo,lindo!

Ação Transformativa

Esta é a terceira parte da tradução do podcast em que Charles Eisenstein conversa com o psicoterapeuta e escritor Francis Weller sobre a importância de resgatarmos a prática de enlutarmos em comunidade como forma de fortalecermos as relações e a nós mesmos e, assim, contribuirmos efetivamente para a transformação social que desejamos.

ACESSE AQUI A PRIMEIRA PARTE DESTA ENTREVISTA

16 - Cópia Foto: Angelica Rente (Cemitério da Recoleta, Buenos Aires, Argentina)

Eisenstein: Uma das críticas que enfrento às vezes é que, quando eu ofereço estes espaços profundamente íntimos, estes espaços transformadores ou como queira chamá-los e que dão uma breve visão do que é possível para a humanidade e as relações, de certa forma… E se eu estiver apenas oferecendo este tipo de “barato” temporário e então as pessoas voltam para casa, e isto quase faz com que suas vidas de cumplicidade com a máquina sejam um pouco mais toleráveis, porque elas tiveram esta experiência de…

Ver o post original 2.638 mais palavras

saindo da SêMente

saia do ser que mente.

Texto perfeito

Pergunta: O que se ganha conhecendo a si mesmo?
CLAUDIO NARANJO: Conhecer a si mesmo é conhecer o falso ser, esse idiota que levamos dentro de nós que constantemente nos faz sofrer. QUando alguém o vê, está começando a fazer-se sábio. O auto-conhecimento é duro mas é importante saber o que se experimenta, ter consciência do que se sente. É curador tomar consciência da agressividade inconsciente, da dor inconsciente, do medo inconsciente. Para curar o ódio, que é uma praga generalizada, inseparável do hiper desejo, da ganância, da necessidade neurótica de mais, é necessário a aceitação sincero desses sentimentos em si mesmo.

 

P: Além da psicoterapia, recomendas a meditação? 
CLAUDIO: Os ensinamentos espirituais de todas as culturas nos dizem que somente quando a mente se aquieta pode refletir algo que está além dela. Se silenciamos nossas vozes pequenas, pode-se ouvir uma voz que está em outro nível, que nos levará ao caminho correto. Essa é a voz da consciência, do ser, a parte da mente que dá sentido à vida.

 

O que seria estar são para você?
CLAUDIO: Sentir o bem-estar de ser.

 

fonte: http://hridayaterapia.com/conhecendo-si-mesmo-saude-claudio-naranjo/

Ter de Acreditar

TER DE ACREDITAR

“… Uma amiga minha encontrou dois gatinhos quase mortos dentro de uma secadora, numa lavanderia automática.
Ela os reanimou e, com muitos cuidados e ótima alimentação, criou-os até eles virarem dois gatos gigantescos, em preto e um avermelhado.
Dois anos depois ela vendeu a casa .Como não podia levar os gatos e não conseguisse encontrar outro lar para eles, nas circunstâncias só o que podia fazer era levá-los para uma clínica veterinária e sacrifica-los.
Ajudei a levá-los.Os gatos nunca tinham entrado num carro;ela procurou acalmá-los,mas eles a arranharam e a morderam especialmente o avermelhado,que ela chamava de Max.Quando afinal chegamos à clínica,ela levou primeiro o gato preto;pegando-o no colo e sem dizer uma palavra ela saltou do carro.O gato brincou com ela, dando-lhe patadas delicadas enquanto ela abria a porta de vidro para entrar na clínica .


Olhei para Max; ele estava sentado no banco de trás. O movimento de minha cabeça deve tê-lo assustado, pois ele pulou para baixo do assento de motorista. Fiz o assento deslizar para trás .Não queria pôr a mão embaixo, de medo que o gato me mordesse ou arranhasse minha mão.O gato estava deitado dentro de uma depressão no fundo do carro.Parecia muito agitado,sua respiração estava ofegante. Ele olhou para mim; nossos olhares se encontraram,e fui dominado por uma sensação de opressão, desespero ou talvez constrangimento por tomar parte no que estava ocorrendo.
Senti uma necessidade de explicar a Max que a decisão fora de minha amiga ,e que eu só a estava ajudando .O gato ficou me olhando como se entendesse minhas palavras.
Olhei para ver se ela já vinha de volta.Eu a via através da porta de vidro.Ela estava falando com a recepcionista. Meu corpo  teve um choque estranho e automaticamente abri a porta do carro.
“Corra Max, corra!”, disse eu ao gato.
Ele saltou para fora do carro e deu uma corrida para o outro lado da rua,o corpo rente ao chão,como uma autêntico felino. Aquele lado da rua estava vazio;não havia carros parados e eu via Max correndo,junto à sarjeta.Ele chegou à esquina de uma grande  avenida e depois se meteu por um cano de esgoto.
Minha amiga voltou,contei-lhe que Max havia fugido. Ela entrou no carro e nós fomos embora sem dizer uma palavra.
Nos meses que se seguiram o incidente passou a ser um símbolo para mim.Imaginei,ou talvez tivesse visto,um brilho
estranho nos olhos de Max quando ele olhou para mim antes de saltar do carro.E acreditei por um momento que aquele bichinho de estimação,castrado,obeso e inútil ,tornou se um gato.
Eu disse a Dom Juan que estava convencido de que,quando Max correu para o outro lado da rua e mergulhou no esgoto,o seu “espírito de gato” estava impecável,e que talvez em nenhum momento de sua vida o seu “gatismo” fora tão evidente A impressão que o incidente deixou em mim foi inesquecível.
Achei que eu era como Max,mimado demais,domesticado em muitos sentidos,e no entanto não podia deixar de pensar que havia sempre a possibilidade de um momento que o espírito do homem poderia apossar-se de todo o meu ser ,assim como o espírito de “gatismo” se apossou do corpo flácido e inútil de Max.
Dom Juan tinha gostado da história e tecera alguns comentários sobre ela.Disse que não era assim tão difícil deixar que o espírito do homem fluísse e se apossase;mas que mantê-lo era coisa que somente um guerreiro poderia fazer.

– O que é que tem a história dos gatos? – perguntei.
– Você me disse que acreditava que se está arriscando, como Max – disse ele.
– Acredito nisso, sim.


– O que estive tentando dizer-lhe é que, como guerreiro, você não pode simplesmente acreditar nisso e deixar a coisa correr. Com Max, ter de acreditar significa que você aceita o fato de que a fuga dele pode ter sido uma explosão inútil. Ele pode ter saltado para o esgoto e morrido instantaneamente. Pode ter-se afogado ou morrido de fome, ou pode ter sido devorado pelos ratos. Um guerreiro considera todas essas possibilidades e depois resolve acreditar de acordo com suas predileções íntimas. Como guerreiro, você tem de acreditar que Max conseguiu salvar-se, que ele não apenas fugiu, mas que manteve seu poder. Você tem de acreditar nisso.
Digamos que sem essa crença você nada tem. A distinção tornou-se muito clara. Achei que eu realmente tinha preferido acreditar que Max sobrevivera, sabendo que ele estava levando a desvantagem de uma vida inteira de mimos e bons tratos.
– Acreditar é fácil – continuou Dom Juan. – Ter de acreditar é outra coisa. Neste caso, por exemplo, o poder lhe deu uma lição esplêndida, mas você preferiu só usar a metade dela. Se você tem de acreditar, porém, tem de utilizar o fato todo.
– Entendo o que quer dizer – disse eu.
Meu espírito estava num estado de lucidez e achei que estava entendendo os conceitos dele sem esforço algum.
– Acho que você ainda não entendeu – disse, quase cochichando.
Ele me ficou fitando. Sustentei seu olhar por um momento.
– E o outro gato? – perguntou ele.
– Hem? O outro gato? – repeti, involuntariamente.
Eu esquecera a respeito. O meu símbolo girava em tomo de Max. O outro gato não me interessava.
– Mas interessa, sim! – exclamou Dom Juan, quando exprimi meus pensamentos. – Tem de acreditar significa que você também
tem de explicar o outro gato. O que saiu lambendo as mãos que o levavam a sua execução. Aquele foi o gato que se dirigiu para a morte, confiante, cheio de seus conceitos de gato. Você acha que se parece com Max, de modo que já se esqueceu do outro gato.
Nem sabe o nome dele. Ter de acreditar significa que você tem de considerar tudo, e antes de resolver que você se parece com Max,você deve considerar que pode parecer com o outro gato; em vez de fugir para salvar a vida e se arriscar, pode estar caminhando feliz para seu destino, cheio de seus conceitos.
Havia em suas palavras uma tristeza curiosa,ou talvez a tristeza fosse minha.Ficamos calados muito tempo.Nunca me passara pela cabeça que eu pudesse ser como o outro gato.A ideia me era muito angustiante.”
…”Temos de acreditar que Max teve noção do que o estava perseguindo e teve poder suficiente para pelo menos escolher o lugar do seu fim.
Mas aí temos o outro gato,assim como há outros homens cuja morte os cercará quando estiverem sós,sem consciência,olhando para as paredes de um quarto feio e despido.
…mas há o outro lado, aquele homem por exemplo está morrendo onde sempre viveu,nas ruas. Tres policiais são a sua guarda de honra.E quando ele for se apagando,seus olhos terão um último vislumbre das luzes nas lojas do outro lado,os carros,as árvores,as multidões de pessoas a sua volta,e seus ouvidos se encherão pela última vez com os ruídos do trafego e as vozes dos homens e mulheres que passam
Assim,você vê,sem uma consciência da presença de nossa morte não há poder,nem mistério.
Fiquei olhando para o homem muito tempo.Ele estava imóvel .Talvez estivesse morto.Mas minha descrença não importava mais.
Dom Juan tinha razão. Ter de acreditar que o mundo é misterioso e insondável era a expressão de preferência mais íntima do guerreiro.Sem isso ele nada tinha “

De Carlos Castañeda. Trecho retirado do livro: Porta para o Infinito.